ESQUIZOFRENIA INTERGERACIONAL: O que está acontecendo com nossos jovens?

ESQUIZOFRENIA INTERGERACIONAL: O que está acontecendo com nossos jovens?

Tenho pensado muito sobre isso. A situação da juventude de hoje imersa na cultura pós-moderna, relativista e subjetivista é muito complexa e dramática. O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, falecido em janeiro de 2017, chamou isso de Modernidade Líquida. A expressão fez escola. Ele aprofundou e fundamentou filosoficamente sua percepção em dezenas de livros muito interessantes. Suas ideias chamaram a atenção até mesmo do Papa Francisco, interessado em entender a cabeça e o coração dessa geração que confunde seus pais, ignora seus avós e está muito perto de pessoas distantes com apenas um click na tela do celular.

Haveria muito o que dizer. Mas vamos nos perguntar apenas por que, enquanto uma grande parte dessa nova geração se desfaz em valores líquidos e prefere “aproveitar a vida”, outros aderem a ideias solidamente conservadoras e procuram retornar a culturas religiosas, políticas e sociais que pareciam sepultadas na pré-modernidade? Seguem como um enxame ideólogos experientes e de ideias claras e distintas, bem alinhadas ao que lhes parece ser a direita de qualquer coisa.

Existe aqui uma curiosa “esquizofrenia intergeracional”. Explico. A geração mais sólida, dos nascidos antes de 1985 (é uma pura convenção aceita pelos sociólogos) tem seus valores, linguagem, religião, opção política e esportiva, claramente consolidadas, solidificadas. Curiosamente sua linguagem pode ser relativista, subjetivista, superficial e líquida. Isso não os ameaça. Na hora H correm para os valores introjetados e não naufragam na perda de sentido.

Os jovens nascidos após 1985 não tiveram essa mesma sorte. Carecem dessa solidez por dentro e por fora. Por isso, ou deixam “a vida me levar, vida leva eu”… ou procuram alguma referência sólida. É uma grande oportunidade para quem tem um discurso claro, profundo, estudado, bem articulado e bem comunicado. A Internet coloca esses jovens náufragos em contato direto com os barcos-salvação. Nesse mar aparece muita gente boa que oferece a solidez desejada para os jovens líquidos. Mas, infelizmente, exitem também os fundamentalistas de plantão. isso explica em parte o poder de cooptação do Estado Islâmico, por exemplo.

Não adianta querem conter o naufrágio da pós-modernidade. O Titanic já bateu no iceberg. Ou nos dedicamos ao estudo sério e damos referências sólidas à nossa juventude ou eles simplesmente irão ignorar quem aparece com um discurso aguado, cheio de imprecisões e carente de estudo. É esquizofrênico, mas é assim. A geração sólida insiste em um discurso líquido, enquanto a geração líquida procura “desesperadamente” um discurso sólido.

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