Ouvi tua oração e vi tuas lágrimas

Nossas lágrimas mostram a nossa luta, não nossa fraqueza

Quem de nós nunca chorou? Todos temos motivos para chorar. Hoje, vamos falar sobre o dom das lágrimas.


Quando nascemos, o médico nos dá uma palmadinha e nós choramos; isso é um dom! No nosso primeiro nascimento, nós choramos e todos celebram.

As lágrima também têm seu lado bom, pois elas podem lavar nossa alma. É um problema quando não conseguimos chorar! Uma vez, uma mulher veio pedir oração, pois não conseguiu chorar no enterro do marido por efeito de remédios; e nós pedimos sobre ela o dom das lágrimas, para que pudesse se lavar.

Às vezes, queremos ser fortes demais, levando todos os problemas do mundo. Dizem que homem não chora, o que é errado, pois homem chora e chorar é um dom, uma graça. Chorar é uma válvula de escape da alma.

Na Bíblia, o menor versículo é João 11,35, quando Lázaro morreu. Jesus foi até Betânia e encontrou Seu amigo morto. Jesus, mesmo sabendo que iria ressuscitar Lázaro, chorou. Se Ele chorou, nós também devemos chorar. O Senhor nos ensina que temos o direito de chorar, não devemos maquiar a oração. Se estamos sofrendo, não vamos ficar enfeitando.

Em toda a Bíblia, vemos clamores de lágrimas desde Moisés até Jesus na cruz. Nossa vida não é feita só de louvor, mas também de clamor.

Neste Ano da Misericórdia, Papa Francisco pediu que meditássemos muito a oração da Salve Rainha, que pede humanamente por Nossa Senhora. Essa oração foi feita por um homem que nasceu com várias doenças, e sua mãe o consagrou a Nossa Senhora, mesmo chorando o sofrimento do filho.

Deus sabe o clamor do Seu Filho, Ele ouve e vem com Sua misericórdia consolar e dar colo ao Seu Filho. Nós crescemos, mas não nos esquecemos de que precisamos do colo de Deus, e Maria é a expressão desse colo. Ela é a Senhora das dores e dos amores.

Em Hebreus 5,7-10, a Sagrada Escritura nos explica que Jesus aprendeu o que significa a obediência pelo sofrimento. São João Paulo II escreveu que a dor e o sofrimento não são só uma válvula de escape, mas também um instrumento de combate espiritual. O nosso sofrimento não nos pertence, mas é um pedacinho da cruz de Jesus. Completamos, na nossa carne, a Paixão de Cristo; e mesmo que ela tenha sido completa, nós fazemos parte dela pelo nosso sofrimento.

Existe uma pedagogia da dor, em que não aprendemos pelo amor, mas pela dor; como quando acontece algo ruim com alguém, uma doença, e a pessoa se converte. Temos de aprender com as pancadas da vida.

Em uma catequese do Papa Bento XVI, ele completou João Paulo II, meditando o Salmo 125 e dizendo que essa terra é uma terra de lágrimas, mas temos de viver sabendo que passamos por aqui para viver a felicidade do céu.

Temos de enfrentar o vale de lágrimas, nesta terra, mas nos alegrando de que estamos caminhando em direção ao céu. Madre Teresa de Calcutá é uma das pessoas que mais soube viver o dom das lágrimas, sempre solidária com os mais pobres e necessitados. Essa mulher, que está para ser canonizada, viveu a vida em um vale de lágrimas, vivendo como freira de rua para cuidar dos pobres e recebeu até o Prêmio Nobel da Paz.

Essa mulher, que chorou unida a Cristo e entendeu o dom das lágrimas, agora será santa e exemplo para nós de cuidado e doação.

Transcrição e adaptação:  João Paulo dos Santos

Pe. Joãozinho, scj

Faça um comentário