Espírito de “partido”

A guerra de tribos é uma realidade milenar, mas continua bem atual. Tribos urbanas são mais comuns do que imaginamos. A democracia na prática herdou o tribalismo. Nossa democracia não é direta, como aquela da antiga Grécia. Temos uma democracia representativa.

Neste modelo político o que vale são os partidos. Não deixa de ser uma estrutura tribal. Cada partido tem sua ideologia que dá a sua identidade. Quando alguém se filia a um partido é porque se “identifica”. Faz parte do jogo. Mas o tribalismo não termina aqui. Tribos disputam território. Tribos fazem guerra. Funcionam na base do conflito.

Infelizmente a democracia herdou também esta dinâmica. O conflito move os debates. Marx identificou esta dinâmica da sociedade e a chamou de “luta de classes”. No seu materialismo dialético ele sugere assumir o conflito como dinâmica para superar o próprio conflito.

Sabemos que na prática nem sempre isso acontece no socialismo marxista. Hoje existe uma espécie de “marxismo cultural” como costumam chamar. Existem pessoas que gritam contra o comunismo e o marxismo mais utilizam o materialismo dialético como estratégia. Preferem a briga. Preferem desqualificar o interlocutor para movimentar o debate. São marxistas tido outros já foram marxistas travestidos de outra tribo qualquer. Outros já foram marxistas e dizem ter abandonado os camaradas, mas ficaram com o sotaque da tribo original. Fumaram tanto cachimbo que a boca ficou torta.

Mas existe outra forma de diálogo político? A democracia pode funcionar de outra maneira? Com certeza. A Doutrina Social da Igreja apresenta outra via, um caminho que não é refém das ideologias. Partimos de um ponto comum: reconhecer a dignidade humana que se radica na imagem e semelhança de Deus impressa em cada um de nós. Partimos da ideia comum e não da diversidade de tribos.

O segundo princípio da Doutrina Social da Igreja é o bem comum. Deus criou este mundo para todos. Mas como administrar essas duas realidades: pessoal e social? A Doutrina Social da Igreja apresenta mais dois princípios: a solidariedade e a subsidiariedade. Podem existir partidos. É saudável o diálogo do contraditório. Mas diá-logos não são diabo-los. O conflito pode ser administrado. Não superado por mais conflito.

Uma civilização do amor é um sonho que os cristãos teimam em continuar sonhando.

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